oh senhor!

LIBELULA

oh senhor!

 

I

o modo como ela ouvia a chuva

no último momento o rapaz lhe salva

quase sempre ele

vai pela calçada

calça justa cabelos negros

sobre a pista de dança daquele modo

como ele

o rapaz

dançava

o corpo nos 70 aquele rapaz

o modo como agora ela reza senhor

saída de um retábulo hieronymus

sobre a mesa da sala

os pássaros monstros voando como balas

estilhaçando as janelas de um céu azul

os pássaros sem modos do amanhecer

os estridentes “eles”

cristais presos ao vidro

as balas azuis as balas

os cavaleiros com suas caras

a cruz no peito estilhaçado pelos mesmos pássaros

a sala a vala rasa a vara dos

treze anjos no teto a casa

são anjos com olhar afiado

de oh piedade senhor tende de nós

o modo como ela sabia das flores dias

e dias lilases branco pálidos como seu rosto

e as flores até enegrecerem secarem

vivas como velas

tremulando sobre as paredes

bebendo as noites de celan

o modo como ela atravessava e bebia o corredor

e a noite varava

oh senhor!

[jussara salazar| 2011]

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: