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Arquivo mensal: abril 2015

escada1

aproximo o espelho, uma nesga de sol sobre o café enquanto leio e você se recosta estendido na cama, filosofando a respeito dos sabonetes baratos do hotel e o olhar enviesado da camareira. agora seu corpo confunde-se embaixo do chuveiro, a pele flexível é uma sombra na cidade, a pele flexível tem febre e caminha pela tarde na grande avenida entre as colinas de são sebastião, o êxtase de santa teresa, pilhas de livros e demônios de louça que riem entre dez perguntas sem nexo _ ? entediar-me em cantos de maldizer o silêncio? visto o casaco, amarro os sapatos e um fio de luz sobe pelo teto_ imitações de miniaturas gregas são rituais de desejo sobre as paredes sentimentais do casarão antigo com suas portas numeradas e escadas, labirintos por onde fugirei para a rua se a noite vier_ e hás de dormir_ ah cordeiro – tua sonhada leveza enquanto chafurdarei na terra molhada

| jussara salazar |

a parede olinda

A imagem de minha casa

cresce sobre a parede

o teatro de sombras curva-se

roça a linha da hera

verga argumentos

o jorro da água cega

ao longe baby-jesus está descalço

dez ideias para um futuro

presságios vêm das nuvens

e meu corpo curva-se

no campo sobre a parede da casa

terra sem habitantes

câmara de ecos ressoa a tua voz

areia, flor, seixo

sopro antigo no meio do aveloz

pela da serra da borborema

                                                                                                           jussara salazar | abril.2015.