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Arquivo mensal: julho 2014

Ariano Suassuna, escritor, Recife Pe Br - 2006

http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/handle/1884/25920/Dissert%20FINAL.pdf?sequence=1

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FRIDA pbfrida pretofrida arte>

FK.

esse amor intolerável
minha deusa asteca
estridente e silenciosa delicadeza
vulcão popocatépetl
a saia de serpentes
as mãos feridas sangrentas
o broche impuro
um abutre feminino corpo
torturado sob atavios
as jóias antigas de coatlicue
em meio às sedas braceletes
círios de uma procissão
de corpos partidos oh parsifal
ecoa nas fitas de tua saia imperfeita
anáguas sussurrantes
asas de uma borboleta escura
voejando ruídos no templo vazio
em meioà quietude
numa mata de yucatán

tatoo3

Não falarei da chuva que cai. Apagando a

fumaça das fogueiras. Encharcando as ruas

lotadas de turistas

zanzando subindo e descendo

naquele navio desproporcional que se aproxima

ou se afasta devolvendo a geometria e a exatidão

das pedras sujas do cais. Monstro marítimo

que arrasta o corpo pesado

esse navio simula uma falsa solidão. Imagino seu convés

abarrotado de turistas mexicanos que no breakfast

pela manhã desdobram

entre risadas

seus mapas de papel fino. Fazem planos

para uma próxima invasão à tarde. Uma visita ao planetário?

Não falarei do cheiro das algas marinhas

ou de como o contorno de banhistas

perdidos com suas silhuetas anônimas vão desaparecendo

feito formigas na areia. Entre as manobras do prático

as redes vão capturar sua colheita magra de peixes

Não falarei. Direi ao mar:

os teus peixes morrem

mas o mar não escuta

move

as negras ondas

as negras mãos líquidas

que não gesticulam mas gritam

palavras desconhecidas

em línguas estranhas

Não falarei enquanto falo ao mar. E ouço nomes

que se assemelham ao teu nome. O querubim

de olhos engraçados e sem um braço

repete também o teu nome

um mantra

uma loa

um poema monótono

um poema bélico. Não falarei sobre a dúvida

ou as bifurcações impossíveis

das quadras em forma de triângulo nas ruas

de um bairro distante do cais. Nem das pequenas ondas

lentas e mornas

que se acinzentam com essa chuva monotóna

e do barulho inaudível que escuto

Não falarei das ondas. Nunca

as ondas roçando o teu torso macio

anjo vagando sem rumo

mutilado

boiando

apodrecendo

nesse vaivém das águas

[jussara Salazar]