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Arquivo mensal: junho 2014

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Aquele corpo
não se abre
à inquietação da carne
como se não
jamais se abre
carne
E os extremos do corpo
seus ossos – como a cidade
abrem-se feito roupa
levada pela água
lavada

Como uma fruta
imaginada
aquele corpo
seria sumo
polpa
carne
De suas curvas
e sua sombra
desdobrado seu pouco
brotaria outra fruta
— ou desejo — outro corpo

 

[jussara salazar | kathryn parker almanas]

 

 


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o meu corpo
é onde escrevo
em qualquer chão
me deito
os carros passam
sobre o meu corpo
máquina muda
esqueço
leio um poema
a música atormenta
o meu corpo estreito
em cada rio
que não navego
meu sonho ideal
o meu corpo
desaparece
como uma folha
ou qualquer coisa
papel ao vento

os prédios me olham
em silêncio

 

 

[jussara salazar]